Como podem as Empresas Portuguesas crescer, quando o mercado em que estamos inseridos não cresce?
Portugal precisa de crescer. Mas como?
Foi a provocação lançada pelo Professor Carlos Moreira da Silva na sessão de ontem, na Católica Porto School of Business and Economics.
E é uma pergunta que trouxe comigo.
Falou-se sobre aquilo que trava o crescimento de Portugal, mas também sobre a necessidade de olhar para dentro das próprias empresas.
Os dados apresentados mostram uma realidade difícil de ignorar: Portugal tem muitas microempresas e poucas empresas de maior dimensão. E, à medida que aumenta a dimensão das empresas, aumenta também significativamente o valor acrescentado por trabalhador.
Então, o Professor Carlos Moreira defende a ideia de um "choque de gestão": criar negócios, transformar organizações e mobilizar a sociedade civil.
Mas a conversa tornou-se ainda mais interessante quando passámos da realidade macro para a realidade concreta de quem está a gerir empresas.
Ricardo Silva, CEO da Tintex Textiles, colocou uma questão que me ficou: como pode o setor têxtil crescer quando não existe capacidade para aumentar indefinidamente o consumo?
Luísa Amorim, CEO da Quinta da Taboadella, trouxe uma realidade semelhante no setor do vinho: se uma parte significativa da produção nacional é excedente, crescer não pode significar simplesmente produzir e vender mais.
Como crescemos quando o mercado em que estamos inseridos não cresce?
Talvez tenhamos de deixar de associar crescimento apenas a volume de vendas.
Pode significar mais produtividade, maior diferenciação, inovação, novos mercados, novos modelos de negócio ou mais valor criado por trabalhador. Pode significar melhor gestão!
Há uma reflexão que merece ser considerada: será que Portugal é realmente um país pequeno, sem população ou sem recursos para crescer?
Temos território, uma população que nos coloca no meio da tabela europeia e uma extensão costa marítima que continua, em grande medida, subaproveitada.
No final, fiquei com uma pergunta que é também um desafio:
O que é realmente preciso para fazer crescer as empresas portuguesas?
mais gestão? Mais escala? mais capacidade de inovar?
Ou precisamos, acima de tudo, de mudar a forma como pensamos o crescimento?
Beijos Inovadores,
Até breve,
Manuela de Oliveira


